TRAVESSIA DE PORTUGAL (TransPortugal Tour)

 

antonio

Dediquei os ultimos 30 anos da minha vida à bicicleta como ocupação a tempo inteiro. Organizei mais de 1000 eventos pelo que tive a oportunidade de conhecer milhares de pessoas interessantes. Muitos destes eventos foram realizados de Bicicleta por todo o país e no estrangeiro; 13 Travessias dos Pirinéus, 2 TransAtlas, 18 Travessias de Portugal em BTT, 17 TransPortugal Race, 6 Travessias pelo Caminho de Santiago Francês, 2 Travessias Ruta de la Plata, 2 Provas da Taça do Mundo de Cross Country, 7 GeoRaids e 150 passeios auto-guiados.
Os Passeios Pedestres, as Multi-actividades, a organização de cursos de Orientação, Escalada e BTT, organização de cursos de GPS, Passeios em 4x4, e a marcação de percursos para actividades na Natureza, complementaram a minha esfera de acção.

Para satisfazer um leque mais alargado de amantes da bicicleta introduzimos em 2008 a possibilidade de a Travessia poder ser feita pelas mais bonitas e sossegadas estradas secundárias de Portugal. Esta outra modalidade de fazer a Travessia vem dar a possibilidade de pessoas menos treinadas poderem igualmente atravessar o país em simultâneo com os que o fazem de uma forma mais radical, em todo-o-terreno. Os locais de pernoita são os mesmos e a quilometragem diária muito semelhante, o traçado do percurso percorre as mesmas zonas, mas a dificuldade é menor.

É, no entanto, um desafio para quem tem espírito de aventura e alguma resistência física.

"Pedalar em média 6 a 7 horas diárias durante 14 dias ao longo de 1000 km"

De Bragança a Sagres, passando por pequenas povoações, em que a história e as histórias, se perdem no tempo, Vila Pouca de Aguiar, Vila Real, Régua, Mezio, Castro Daire, Termas do Carvalhal, Cabrum, Viseu, Termas de Alcafache, Manteigas, Alpedrinha, Castelo Novo, Castelo Branco, Póvoa e Meadas, Castelo de Vide, Marvão, Jerumenha, Monsaraz, Santa Clara, Monchique, convivendo com a gente hospitaleira do interior, experimentando a riqueza gastronómica do País de Norte a Sul.

Pedalando de Trás os Montes até ao Alentejo, começando no centro, tocando na fronteira Leste com Espanha e por fim inflectindo para a Costa Vicentina, até ao Cabo de S. Vicente.

A Travessia começa em Chaves, a poucos quilómetros da fronteira Norte com Espanha, com as Serras do Larouco e do Barroso à vista. Aproveita-se uma linha de caminho-de-ferro desactivada para contornar as montanhas de uma forma suave, até à grande descida para o Rio Douro, na companhia do Património Mundial da UNESCO do Alto Douro Vinhateiro.
Na margem sul a subida é violenta, amenizada pelas amplas paisagens da Beira Alta. Viseu, a maior cidade que vamos visitar, não está longe, mas muitos rios e respectivos vale cavacos têm de ser vencidos até lá.
A majestosa Serra da Estrela já está à vista, a exigir duas passagens a 1600 metros de altitude para ser atravessada e nos revelar a Serra da Gardunha, com as suas incontáveis cerejeiras, Estamos já nas planícies da Beira Baixa, a fazer adivinhar o grande Alentejo.
O Tejo cruza-se calmamente em Vila Velha de Rodão, e os trilhos que seguem até Marvão vão mudando de cor e consistência, do vermelho da terra arenosa até aos cinzentos do granito. Depois vêm as calçadas romanas e a subida a pique da Serra de S. Mamede. Vamos ao encontro do Guadiana onde este começa a banhar terras lusas e durante alguns dias bordeamos a Albufeira do Alqueva, emergindo em Monsaraz e Mourão. A seguir a Pias a paisagem muda profundamente e podem a seguir os ciclistas descansar porque vão surgir as grandes planícies Alentejanas, os verdes ondulados das searas, vastos horizontes de terra arável (mas se chover a lama porá o inferno na terra para os ciclistas). Para entrar no Algarve há mais um desafio a vencer é a travessia de um dorso na serra do Espinhaço de Cão e Monchique.
Vamos encontrar a costa no Vale da Telha e estamos na fase final da Travessia pedalando junto ao mar, por caminhos de bom piso, e com belas vistas sobre as falésias.

Para trás ficou um país de lés a lés de profundos contrastes cujas imagens ficarão permanentemente retidas em todos os que aceitaram este desafio de pedalar no Portugal das traseiras onde as gentes de pele escurecida pelo Sol nos dão os bons-dias e nos oferecem mesa, os alimentos sabem à terra onde cresceram e os dias se sucedem sem pressas e sabem a vida.

Esta Travessia foi concebida tendo em vista atravessar o país fora-de-estrada pelos lugares mais isolados e remotos possível, permitindo um estreito contacto com "O Portugal ao Natural" percorrendo-o de Norte para Sul do centro até à linha de fronteira em Pias e daí diagonalizando para a Costa Vicentina, para atingir Sagres sempre junto à costa. No entanto na maioria dos locais de pernoita os alojamentos são limitados e isso obriga-nos a limitar o número de pessoas que podemos admitir nesta Travessia de Portugal em BTT, um evento histórico do BTT em Portugal.

Todo o nosso percurso está registado em mapas e tracks para GPS. Se não pode fazer a Travessia na integra, pode aventurar-se só a uma semana, a primeira ou a segunda.

São 14 passeios de Bicicleta pelo que de melhor há em Portugal.


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